Projeto Boa Esperança Colonização & Evolução

A frase "recordar é viver" ganha um novo sentido para quem tem a oportunidade de participar das oficinas pedagógicas pertencentes ao projeto "Boa Esperança - Colonização e Evolução", desenvolvido pela diretora da Escola Municipal Multisseriada General Osório, Lisiane Prezzi, e pela amiga, enóloga Josiane Sbardelotto.

O projeto surgiu em setembro de 2017, objetivando resgatar e registrar as memórias, as histórias e as tradições da cultura italiana, predominante na comunidade do interior de Rolante. “Inicialmente estruturamos um objetivo e elaboramos uma proposta de registrar e documentar a história e cultura da nossa comunidade, que não se encontram documentados, nos livros ou em materiais de pesquisa”, comenta Lisiane, e para contemplar esse objetivo, “por meio de entrevistas com moradores em várias famílias, coletamos informações, dados, fotos, documentos e reportagens sobre a história da nossa comunidade, buscamos diferentes aspectos da localidade, tanto da época de seus antepassados, quanto da atualidade, fazendo uma avaliação do que é possível resgatar e, quem sabe, trazer, de forma repaginada, para os dias de hoje”, conta Josiane.

Diante de uma amplitude gigantesca de informações e dados, e para melhorar a organização das ideias o projeto foi subdividido em 3 eixos principais, num primeiro momento: Educação, Cultura e Turismo, embora envolva e movimente outras esferas, bem diversificadas.

A diretora, juntamente com a amiga que, como ela, foi aluna da escola, preocupou-se quando viu apenas nove alunos matriculados no ano de 2016. O receio de que a General Osório pudesse fechar suas portas por falta de alunos, levando parte da história dela e de tantas pessoas com as quais ela conviveu na infância e convive até hoje, foi o grande incentivo para colocar em prática este projeto que vem fazendo a diferença na vida da comunidade da Boa Esperança.

A proposta pedagógica surgiu da necessidade de fortalecer a cultura da localidade entre as crianças que permanecem na comunidade, fazendo com que elas se sintam valorizadas e orgulhosas de pertencerem aquele lugar e que, mesmo saindo para estudar, queiram retornar, aplicando seus conhecimentos em prol de suas famílias e da comunidade como um todo.

Diante disso, iniciamos os trabalhos pelo eixo que julgamos ser o principal: Educação. Elaboramos um projeto especifico, o projeto pedagógico de experiência Boa Esperança Colonização e Evolução, onde elaboramos uma proposta de visitação de estudantes do 4º ano das redes de ensino do município, na oportunidade de explanar e conhecer melhor os costumes e as pessoas que vivem na comunidade. O projeto elaborado foi apresentado para a Secretaria Municipal de Educação e Esportes de Rolante, representada pela srª Eunice Salim Silveira, a qual demonstrou entusiasmo pelo projeto, apoiando a realização das oficinas propostas, disponibilizando transporte para locomoção dos alunos de todo município até Boa Esperança, disponibilizou os ingredientes necessários para a realização das oficinas culinárias e ingredientes parar os lanches e refeições dos alunos, entre outros incentivos internos á escola General Osório.

Por sua vez, a realização do projeto pedagógico foi divido em duas etapas: Colonização e Evolução, respectivamente divididos entre o primeiro e o segundo semestre letivo.

A primeira etapa do projeto foi capacitar as crianças da Boa Esperança, despertando o interesse, o gosto por permanecer na localidade, incentivando as possibilidades, o trabalho e a vida no interior, consequentemente incentivando a permanência e a vinda de novas famílias, lingando também a questão turística desde cedo. "Quando éramos crianças, ser agricultor não era profissão, não era motivo de orgulho, não era um bom modo de ganhar a vida, mas somos prova de que podemos sim, sair para estudar, mas voltar e aplicar nossos conhecimentos nas propriedades das nossas famílias e na nossa comunidade", comenta Josiane.

 

Oficinas

No final de abril as coordenadoras do projeto começaram a executar as oficinas pedagógicas. Para isto, estão contando com o apoio do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rolante e Riozinho, que patrocinaram os uniformes e com a Secretaria Municipal de Educação e Esportes realizando o agendamento das escolas, fornecendo o transporte de ida e volta à Boa Esperança e fornecendo alimentação (inclui lanche na chegada, ingredientes para a oficina do agnoline e grostoli, almoço e lanche da tarde) ás escolas visitantes do projeto pedagógico de experiência.

Além disto, o projeto conta com o envolvimento de aproximadamente 30 voluntários da comunidade, sendo organizado em duplas para realização da oficina histórica, duplas para realização da oficina de confecção de agnoline, cantinas apoiadoras e participantes do projeto. As coordenadoras contaram com apoio fundamental dos esposos Diego Trentin e Volmir Boniatti, na construção e montagem do museu colonial italiano e auxiliam em todas as atividades práticas de desenvolvimento do projeto.

  

ETAPA COLONIZAÇÃO – 1º semestre 

Ciclo do parreiral

Quando as crianças chegam na Boa Esperança, visitam uma das cantinas que integram o projeto, conhecendo os parreirais e seu ciclo anual, e o histórico da produção de uvas e elaboração dos vinhos na comunidade e depois fazem degustação de suco de uva. Tudo é explicado pelos proprietários da cantina visitada.

 

Confecção de agnoline

Após o lanche, de pão com ximia de uva, os alunos, na prática, todo o processo de preparação da massa e confecção do agnoline que, logo depois, será utilizado no preparo do almoço.

O almoço servido às crianças é sopa de agnoline (que elas mesmas ajudaram a fazer), pão corneto (pão italiano) e suco de uva. E sagu (é o lanche da tarde).

A oficina é realizada nas dependências da Escola General Osório, com voluntários da comunidade.

 

Oficina histórica

Apresentação da história da imigração italiana na comunidade é apresentada por meio de slides com imagens e vídeos sobre a história da comunidade.

Seguindo amostra da confecção de uma árvore com os sobrenomes dos colonizadores locais, os alunos visitantes são convidados a confeccionar uma árvore de sobrenomes de sua turma ou escola, com intuito de valorizar o sobrenome que cada criança carrega, desenvolvendo sentimento de amor por sua identidade, por sua história e sua família.

Brincadeira com palavras em italiano e sua tradução e, ainda, jogo da Mora, também na Escola General Osório, com o apoio de voluntários da comunidade.

 

 ETAPA EVOLUÇÃO – 2º semestre

 Ciclo do parreiral

 

Quando as crianças chegam na comunidade de Boa Esperança, visitam o parreiral de uma das cantinas que integram o projeto, para que possam fazer um comparativo, visualizando a evolução do parreiral desde a primeira visita até a segunda visita. Conhecem também um pouco sobre o trabalho atual das vinícolas, sobre o processo de elaboração de sucos e vinhos e como finalização desta visita fazem degustação de suco de uva. Tudo é explicado pelos proprietários da cantina visitada.

 

Confecção do grostoli

Após um lanche, com bolo de suco de uva, inicia-se a oficina culinária, onde os alunos aprendem, na prática, os ingredientes e todo o processo de preparação da massa e confecção do “grostoli”, conhecido popularmente como cueca virada que será utilizado no lanche da tarde.

O almoço servido às crianças nesta etapa é galinha ao molho, polenta e salada, prato comum e típico entre descendentes da cultura italiana.

A oficina culinária é realizada no refeitório da Escola General Osório, por voluntários da comunidade.

 

Oficina evolução

Por meio de slides com imagens apresentamos aos alunos todos os pontos turísticos da comunidade, que integram a Rota Turística Caminho das Pipas.

Em seguida a turma visitante é convidada a fazer um passeio turístico por alguns pontos próximos á escola, onde conhecem a história e o envolvimento atual do ponto turístico com a comunidade, contasse a influência que as “Irmãs religiosas” tiveram sobre nossa comunidade, principalmente no envolvimento com a escola e Igreja na antiga Casa das Irmãs que atualmente é a pousada, demostramos a antiga casa Taufer que atualmente é o Sitio Terra e Arte, em seguida realizamos uma caminhada objetivando conhecer a cascata três quedas, e, no retorno os visitantes conhecem a Casa Canônica e a Igreja Paroquia Nossa Senhora de Caravaggio onde é contado como ocorre a organização e manutenção destes pontos, festas e eventos que ocorrem na comunidade. Em seguida, visitamos a “mostra fotográfica” com imagens importantes da comunidade de Boa Esperança, expostas no salão paroquial, onde é realizado também um jogo de integração e finalizado com o saboroso lanche que as crianças produziram na oficina culinária, grostoli.

 

"Queremos que as nossas crianças e a comunidade rolantense, conheçam a Boa Esperança, suas belezas, a cultura italiana que permanece viva nesta comunidade de interior e que tenham tanto orgulho deste chão quanto nós, que nascemos, crescemos e vivemos aqui temos e cultivamos diariamente", salientam as coordenadoras do projeto.